O primeiro.
Na noite em que enviei a minha application à Rockstar North, para quem não sabe é a criadora da saga de jogos GTA (Grand Theft Auto), decidi que não me ia ficar apenas por um email marado. Tinha de fazer mais. Pesquisei todos os postos de trabalho que se podiam encaixar em mim, sem contar com o de cleaner, e encontrei um que me fez parar. Pedestrian Dialogue Writer. Porra, é mesmo isto. O GTA, mais do que um jogo, é um mundo virtual. Todo o figurante (neste caso “adereço”) desse mundo tem falas, e falas engraçadas. Desde o mendigo que manda vir com um executivo numa esquina, ao pregador que berra em segundo plano que o mundo vai acabar num discurso exageradamente eloquente para um adereço, até à dondoca que guincha do outro lado da rua enquanto fala ao telemóvel com o amante a queixar-se do marido. O mínimo adereço tem uma personalidade e uma história. E as personalidades e histórias têm de ser interessantes. Num mundo virtual tão gigante tem que haver milhares de pedestrians, outro tantos diálogos e, como consequência, dezenas de pessoas a pensar e a escrevê-los. Era isto mesmo. Depois de apenas 2 semanas fora da terra-mãe, depois de anos a olhar à volta e a concluir que redactor publicitário era o único trabalho que me via a fazer, eis que descubro mais uma espécie de carreira para mim. Com isto na cabeça comecei a planear uma intervenção guerrilheira na Rockstar North. O objectivo: candidatar-me a dois lugares opostos ao mesmo tempo, mostrar força e criatividade na forma, e conquistar um desses lugares. O lugar de Pedestrian Dialogue Writer ou o de Cleaner. Tive logo uma ideia formada na cabeça mas precisava de mais. Atribui-me então como primeira missão fazer um estudo no terreno. No dia seguinte lá me encontrava a caminhar solitário em direcção às instalações da Rockstar. Máquina na mão, dei uma volta ao quarteirão deles e tirei fotos de todos os ângulos possíveis para ter material em que pensar mais tarde. A fachada, as traseiras, as laterais, a visão de quem sai de lá, a visão de quem entra, não me escapou nada. Sentei-me do lado oposto da rua, no chão com a mochila à frente, peguei no cadernozito que a minha mana me ofereceu, e comecei a tirar umas notas enquanto esperava para ver alguém a entrar no edifício. Cabeça baixa, abstraído pela música do meu iPod, a escrever sentado no chão. De repente, tão de repente que me assustei, surge de cima uma mão e um braço. Olho para a minha mochila num instinto de protecção e, para meu gáudio, vejo duas moedas de 50p a rodopiar nela. Levanto a minha atenção para cima e choco com o aceno bondoso de um velhote. Aconteceu tudo tão rápido que só consegui soltar um abafado e confuso “Thank you?..” enquanto o senhor se afastava de passo apressado. Cinco segundos depois estava a rebolar a rir. Foi o meu primeiro pound.
Foi também a primeira vez que recebi uma esmola ahahaha
ResponderEliminarahahah lindo!! bem pelo menos já sabes q só de estares sentado já te safas (;
ResponderEliminarVou seguir tudo atentamente.
ResponderEliminarUm grande abraço.
és o maior, andrézinho :)
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